Assessoria Pedagógica

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Educadora Sim

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


Conhecimento prévio

Entenda por que  aquilo  que cada um já sabe é a ponte para saber mais.

Virou quase uma obrigação. Não há (ou pelo menos não deveria haver) professor que inicie a abordagem de um conteúdo sem antes identificar o que sua turma efetivamente conhece sobre o que será tratado. Apesar de corriqueira nos dias de hoje, a prática estava ausente da rotina escolar até o início do século passado. Foi Jean Piaget (1896-1980) quem primeiro chamou a atenção para a importância daquilo que, no atual jargão da área, convencionou chamar-se de conhecimento prévio.

As investigações do cientista suíço foram feitas sob a perspectiva do desenvolvimento intelectual. Para entender como a criança passa de um conhecimento mais simples a outro mais complexo, Piaget conduziu um trabalho que durou décadas no Instituto Jean-Jacques Rousseau e no Centro Internacional de Epistemologia Genética, ambos em Genebra, Suíça. Ao observar exaustivamente como os pequenos comparavam, classificavam, ordenavam e relacionavam diferentes objetos, ele compreendeu que a inteligência se desenvolve por um processo de sucessivas fases. Dependendo da qualidade das interações de cada sujeito com o meio, as estruturas mentais - condições prévias para o aprendizado, conforme descreve o suíço em sua obra - vão se tornando mais complexas até o fim da vida. Em cada fase do desenvolvimento, elas determinam os limites do que os indivíduos podem compreender.

Dessa perspectiva, fica claro que o cerne de sua investigação relaciona-se à capacidade de raciocínio. Por não estudar o processo do ponto de vista da Educação formal, Piaget não se interessava tanto pelo conhecimento como conteúdo de ensino. Na década de 1960, esse tema mereceu a atenção de outro célebre pensador da Psicologia da Educação, o americano David Ausubel (1918-2008). "Ele foi possivelmente um dos primeiros a usar a expressão conhecimento prévio, hoje consagrada entre os professores", diz Evelyse dos Santos Lemos, pesquisadora do ensino de Ciências e Biologia do Instituto Oswaldo Cruz.

De acordo com Ausubel, o que o aluno já sabe - a ideia-âncora, na sua denominação - é a ponte para a construção de um novo conhecimento por meio da reconfiguração das estruturas mentais existentes ou da elaboração de outras novas. Quando a criança reflete sobre um conteúdo novo, ele ganha significado e torna mais complexo o conhecimento prévio. Para o americano, o conjunto de saberes que a pessoa traz como contribuição ao aprendizado é tão essencial que mereceu uma citação contundente, no livro Psicologia Educacional: "O fator isolado mais importante influenciando a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já sabe. Descubra isso e ensine-o de acordo".

Ao enfatizarem aspectos distintos do conhecimento prévio, as visões de Piaget e Ausubel se complementam. "Para aprender algo são necessárias estruturas mentais que deem conta de novas complexidades e também conteúdos anteriores que ajudam a assimilar saberes", diz Fernando Becker, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Sondagens de saberes: como fazê-las bem

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Não resta dúvida de que a força conferida ao conhecimento prévio transformou as rotinas das salas de aula. Entretanto, ainda persistem alguns mal-entendidos relacionados ao tema. O mais básico deles é realizar a sondagem do que a turma sabe, mas não utilizar esse resultado no planejamento do trabalho diário. "De nada adianta coletar informações se elas não servirem como guia para orientar atividades, agrupamentos e intervenções", defende Tania Beatriz Iwaszko Marques, docente da UFRGS.

Outro engano recorrente diz respeito à forma como as sondagens são conduzidas. Para muitos professores, diagnosticar conhecimentos prévios equivale a conversar com os alunos e ver o que eles sabem sobre o assunto. Essa raramente é a melhor estratégia. Digamos, por exemplo, que o objetivo de um docente de Educação Física é ensinar futebol. Dificilmente ele vai conhecer a condição prévia de cada criança a não ser que as coloque para jogar. "O caminho mais indicado para identificar os saberes dos estudantes é propor situações-problema, desafios que os obriguem a mobilizar o conhecimento que possuem para resolver determinada tarefa", afirma Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA.

Também vale pôr em xeque a tese de que todos os saberes que a turma possui sempre colaboram para a construção de um conhecimento. Na verdade, em alguns casos, eles podem até ser um obstáculo. No campo das Ciências, por exemplo, a experiência empírica das crianças as leva a pensar que, entre os seres vivos, aqueles que se locomovem são animais, enquanto os demais são vegetais. Essa noção pode dificultar a compreensão de que corais e esponjas sejam animais. A nova informação somente será compreendida quando os alunos perceberem a incoerência explicativa da ideia anterior. No caso, estudando as características específicas de celenterados e poríferos e compreendendo que animais e movimento não são características indissociáveis.


Conhecimento prévio não é sinônimo de pré-requisito

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Um último ponto - fundamental - é desfazer a confusão entre conhecimento prévio e os chamados pré-requisitos. Apesar do uso corrente como sinônimos, no campo da Educação os dois termos não significam a mesma coisa. Enquanto conhecimento prévio diz respeito aos saberes que os alunos já possuem, os pré-requisitos constituem uma lista, muitas vezes arbitrária, de conteúdos e habilidades sem as quais, teoricamente, não seria possível avançar para o conteúdo seguinte. Há dois problemas com o uso de pré-requisitos. O primeiro é excluir do processo educativo alunos que não dominam determinado tema. O segundo é que, em muitos casos, os pré-requisitos determinados pelo professor são aleatórios e não têm relação com o processo de aprendizagem. Na alfabetização, por exemplo, pensava-se há até pouco tempo que conhecer todas as letras do alfabeto era um pré-requisito para começar a escrever. Hoje, as pesquisas psicogenéticas mostram que isso não é verdade, já que as letras do nome próprio funcionam como um primeiro referencial para as crianças arriscarem a escrita. "Trabalhar com conhecimento prévio, em vez de pré-requisitos, aprimora o ensino", finaliza Regina.

Trecho de livro

"Para que um novo instrumento lógico se construa, é preciso sempre instrumentos lógicos preliminares; quer dizer que a construção de uma nova noção suporá sempre substratos, subestruturas anteriores e isso por regressões indefinidas."
Jean Piaget, no livro Problemas de Psicologia Genética (coleção Os Pensadores)

Comentário Para Piaget, todo conhecimento somente é possível porque há outros anteriores. É dessa maneira que se desenvolve a inteligência. Desde o nascimento, as pessoas começam a realizar um processo contínuo e infinito de construção do conhecimento, alcançando níveis cada vez mais complexos. Construídas passo a passo, as estruturas cognitivas são condições prévias para a elaboração de outras mais complexas. Ao agir sobre um novo objeto ou situação que entre em conflito com as capacidades já existentes, as pessoas fazem um esforço de modificação para que suas estruturas compreendam a novidade.

Resumo do conceito Conhecimento prévio
Elaboradores: Jean Piaget (1896-1980) e David Ausubel (1918-2008)


O termo designa os saberes que os alunos possuem e que são essenciais para o aprendizado. Na década de 1920, Jean Piaget identificou as estruturas mentais como condições prévias para aprender. Nos anos 1960, David Ausubel chamou de conhecimento prévio os conteúdos fundamentais para adquirir novos conhecimentos.

 Fonte: www.novaescola.com.br/gestãoescolar ( Elisângela Fernandes )

Organizado por Pedagoga Luziane Nonato
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Escola e Família

 
O Século XXI trouxe uma série de mudanças no modo de pensar
e agir das pessoas, por causa das novas descobertas científicas,
o advento de novas tecnologias, o melhoramento dos meios de
 comunicação, etc. A “aldeia global” do filósofo e educador canadense  
Marshall McLuhan, no século passado, não passa hoje de mera
 telinha de notebook ou smartphone. O aprimoramento
extremado da comunicação, infelizmente, não levou com a
 mesma intensidade à melhoria do diálogo entre as pessoas,
gerações e instituições. Entretanto, algumas posturas em
relação aos detentores dos conhecimentos e os modos de
ensiná-los aos aprendentes e o como estes o adquirem
mudaram substancialmente. Na área da educação,
por exemplo, a escola, antes praticamente colocada
em um pedestal pelos pais, que deixavam sob
a responsabilidade da instituição praticamente todas
as decisões que diziam respeito à educação dos filhos,
 já não tem mais a mesma autonomia no processo
de aprendizado da criança ou adolescente. Assim surge um
cenário no qual escola, alunos e pais precisam, juntos,
 construir um caminho para o diálogo, pois o acesso aos
saberes e valores não é mão única de nenhuma
das partes envolvidas. Muito pelo contrario, o
estreitamento dos laços entre essas partes pode contribuir
ainda mais para a formação de competências, habilidades e
 princípios que o aluno irá levar pelo resto da vida e que serão  
de extrema importância para o sucesso pessoal e profissional do jovem.

 

Qualquer desconchavo entre pais, alunos e escola pode tornar-se um entrave ou até mesmo um desastre para o processo educacional, principalmente quando os réus se fazem de vítimas e estas se tornam rés. Muitas vezes, os pais, independentemente de análise dos fatos ocorridos, por uma questão de empatia familiar, colocam-se ao lado dos filhos, em detrimento da verdade. Por outro lado, em alguns casos, é a escola que interfere em problemas de família que dizem respeito só a esta. Ademais, o problema familiar não deve modificar a rotina escolar da criança ou adolescente nem da instituição deve interferir nas questões diretas do âmago familiar. O que os pais esperam, no mínimo, é uma intuição de ensino que preze, acima de tudo, a formação do aluno como ser humano.

 

Seja pública ou privada, uma escola não pode deixar que questões de status socioeconômico afetem decisões sobre a vida dos alunos no ambiente de estudo. Se o aluno fez algo que tenha ido contra os princípios sociais e normas da instituição, é imprescindível que a escola lhe aplique uma punição justa, consoante a gravidade das faltas.

Um caso recente, ocorrido em uma escolar particular da Região Metropolitana de Belo Horizonte, expõe de maneira clara e objetiva o quanto pode ser arriscado defender a criança ou adolescente quando, na verdade, o correto seria mostrar ao infrator a inconveniência do erro cometido.

Uma garota fazia prova em sala de aula, acompanhada por três professores, que a flagraram colando. Um dos professores pediu que ela entregasse o pedaço de papel usado para colar, que estava debaixo de um das pernas dela. A aluna negou que o papel existisse, mas quando o educador pediu para que ela se levantasse, a cola foi encontrada. Houve uma reunião entre os professores e, por unanimidade, a prova da garota foi anulada e ela recebeu nota zero. Indignada, a mãe tomou as dores da filha e entrou com uma ação na justiça, pedindo indenização por danos morais, alegando que a garota passou por um enorme constrangimento na frente dos colegas de classe.

Esse é um entre vários exemplos que ocorrem repetidamente em escolas do país. Ao tomar partido dos filhos, mesmo que eles tenham cometido uma infração grave, os pais praticamente estão endossando o comportamento indesejável. E ainda abrem margem para que o jovem se sinta blindado, acima do bem e do mal, confiante de que, no futuro, se cometer outro erro, terá o apoio do pai ou da mãe. E quiçá da sociedade. Muitos pais não fazem ideia do equivoco que estão cometendo e que podem comprometer de maneira decisiva a formação do caráter do filho. A melhor educação é o exemplo, e quando a família defende o aluno em prático de comportamento desviante, ela está praticamente mostrando que o crime compensa e que burlar as regras é correto. Já a escola precisa enxergar o aluno de forma única, cuidando dele como se ela fosse um braço direito dos pais no local em que eles não podem orientar os filhos porque não estão presentes e justamente no período em que ocorre a formação maior do caráter, infância e adolescência.

Enquanto os pais não encontrarem o equilíbrio ao lidar com situações semelhantes aos exemplos aludidos e o ocorrido na instituição citada, não sabendo se posicionarem senão em defender os filhos, estes estarão correndo um sério risco de, em futuro não muito distante, ter que resolver problemas não com professores e diretores, mas, sim, em delegacias e tribunais de justiça.

 

Emiro Barbini - Presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais.

Fonte: Jornal Estado de Minas

 

 

Organizado por Pedagoga Luziane Nonato
 
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012



RESULTADO DA ENQUETE:



"EM QUAL REDE DE ENSINO VOCÊ TRABALHA?"

 


69 % DOS VISITANTES DO BLOG DA EDUCADORA SIM LECIONAM EM ESCOLAS DO ENSINO PÚBLICO.

CONFIRAM:

69% pública
26% particular
4% particular/pública

- OBRIGADA A TODOS QUE RESPONDERAM A ENQUETE EDUCADORA SIM -

FIQUEM ATENTOS À NOVA ENQUETE.
 
Organizado por Pedagoga Luziane Nonato